Posted by
RS on Tuesday, March 24, 2009 12:04:46 PM
Protógenes Queiroz defende ocupação de fazendas de Daniel Dantas pelo MST
Wagner Gomes, O Globo
15/03/2009
SÃO PAULO
O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz defendeu neste domingo os movimentos de sem-terra e disse que ocupar fazenda de "banqueiro bandido" é um dever do povo brasileiro. Protógenes afirmou que vai revelar na CPI dos Grampos, em abril, em que condições as terras de Daniel Dantas, ocupadas pelos sem-terra, foram adquiridas.
- Ocupar fazenda de banqueiro bandido é dever do povo brasileiro. No dia 1º, o povo vai ver em que condições essas terras foram adquiridas. Não estou aqui fazendo apologia criminosa de nada, não estou criminalizando nada e não estou incentivando ninguém a invadir terra produtiva, não é disso que se trata. Estou falando que vou revelar ao Brasil e ao povo brasileiro em que condições essas terrras foram adquiridas - disse o delegado, que participou neste domingo de seminário sobre segurança em São Paulo.
Durante o evento, Protógenes voltou a atacar a decisão do STF de conceder dois habeas corpus a Dantas, acusado de corrupção:
- Os Estados Unidos já deram o exemplo ao algemar um banqueiro bandido. Já o nosso banqueiro tem que ser homenageado e cortejado, até mesmo ameaçando altas autoridades no submundo sujo do jogo de poder. Temos de inverter este estado de coisas - afirmou o delegado, que não falou com a imprensa ao sair do seminário, limitando-se a dizer que só se pronunciará na CPI.
No último dia 28 de fevereiro, cerca de 200 famílias ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) invadiram a Fazenda Espírito Santo
A coordenação do MST na região informou que a invasão foi um protesto às recentes declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, de que repasses de verbas públicas ao movimento são ilegais. A Fazenda Espírito Santo foi invadida ainda em dois outros pontos por cerca de 200 pessoas.
No seminário, Protógenes falou também sobre a parceria entre a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal
- Anteontem, o ministro Carlos Alberto Direito reconheceu em voto a legalidade da atividade da nossa gloriosa Agência Brasileira de Inteligência em atividades conjuntas com a Polícia Federal. Então, já temos a sinalização de uma mudança de comportamento e de uma consciência jurídica junto ao Supremo mais responsável. Todas as decisões do STF são respeitadas, gostemos ou não delas - disse o delegado, que participa de um seminário em São Paulo sobre segurança pública.
O delegado afirmou que irá à CPI dos Grampos para esclarecer todos os pontos da investigação. Ele disse que explicará qual foi a participação de cada personagem:
- Não sou portador de interesse privado, de partido político, de instituição nenhuma. Não faço parte de nenhuma guarda pretoriana ou governamental. Sou um servidor público federal e vou exercer o meu dever de explicar ao povo brasileiro o que se passou em todo este processo de investigação, que durou quatro anos.